Falhas graves encontradas em aviões levaram à suspensão da Voepass
A suspensão cautelar dos voos da Voepass, determinada em 11 de março pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), está associada a uma série de falhas e problemas identificada em aviões da empresa durante inspeções.
Quando houve a interrupção das operações, a agência informou que a medida seria mantida até que a empresa comprovasse a correção de “não conformidades relacionadas aos sistemas de gestão previstos em regulamentos”.
Mas laudos de inspeções técnicas realizadas nas aeronaves, obtidos pela Folha, apontam cinco falhas estruturais, como deformação de fuselagem, danos na carenagem da porta de carga e trincas na junção entre a asa e a fuselagem. As cinco ocorrências foram identificadas em quatro aeronaves diferentes.
Questionada pela reportagem, a empresa disse que sempre cumpriu as exigências de segurança. “Em 30 anos de atuação, em um setor altamente regulado, a segurança dos passageiros e da tripulação sempre foi, e continuará sendo, a prioridade máxima da Voepass”, afirmou em nota.
A chamada “Operação Assistida”, que fez uma varredura nos equipamentos da empresa, teve início após o acidente aéreo de 9 de agosto de 2024, quando 62 pessoas morreram com a queda do turboélice no município de Vinhedo, interior de São Paulo.
A Anac afirma que, por meio das auditorias, “identificou um cenário de perda de confiabilidade dos mecanismos internos de detecção e correção de problemas da empresa”.
Os achados ocorreram em duas etapas. A primeira fase, realizada em agosto e setembro de 2024, e a segunda, em janeiro e fevereiro deste ano.
O trabalho se deu nas bases de manutenção da Voepass localizadas nos aeroportos de Ribeirão Preto, Guarulhos e Congonhas, em São Paulo, além do Recife (PE) e Galeão (RJ).
Conforme os laudos, no dia 27 de agosto, em Ribeirão Preto, foi detectado um primeiro problema: uma deformação (mossa) na fuselagem do lado direito de uma aeronave.
“O mecânico [da Voepass] responsável pela inspeção da aeronave não identificou o problema durante sua verificação inicial, tendo o dano sido percebido apenas após a intervenção da equipe de inspeção”, afirma o relatório.
Por protocolo, os aviões possuem um mapa de danos arquivado no sistema da empresa, que deve ser consultado sempre que um problema for identificado, para verificar se já está mapeado e sob controle. “Essa prática não foi observada durante a execução das tarefas de pernoite. Com isso, existe o risco de danos ocorridos durante a operação da aeronave permanecerem por tempo indeterminado sem mapeamento ou controle”, aponta a inspeção.
Em 11 de setembro de 2024, em Congonhas, foi identificada uma avaria na carenagem de proteção da porta de carga (flap door) de um avião. Duas semanas depois da notificação, a Voepass afirmou que tinha relatado o problema, mas a Anac verificou que a empresa usou “uma referência técnica incorreta, o que compromete a validade do procedimento adotado”.
O terceiro problema foi encontrado em 24 de setembro do ano passado, no aeroporto de Ribeirão. “Foram identificadas trincas na carenagem da junção asa/fuselagem, no lado esquerdo da aeronave”, afirma o relatório.
Após a inspeção da Anac, a equipe de manutenção providenciou a substituição da carenagem, mas um novo problema surgiu. “Foi constatado que o material de proteção contra descarga eletrostática estava danificado e que havia iniciado um processo de desfolhamento do material composto no bordo de ataque da carenagem”, aponta o relatório.
*Com informações Noticias ao Minuto



